Planejamento elétrico permitiu à AMG saltar de 90 mil t para 130 mil t sem interromper operação
Minerais críticos miram US$ 21 bi, mas infraestrutura elétrica pode travar a expansão
Minerais críticos miram US$ 21 bi, mas infraestrutura elétrica pode travar a expansão
Ampliar a capacidade de uma planta industrial em operação é um dos projetos mais delicados da engenharia, já que qualquer interrupção não planejada durante a obra representa perda direta de produção. Em processos contínuos, cada equipamento, painel ou instrumento novo precisa se conectar a um sistema que segue funcionando, e uma falha de sequência nessa integração pode custar caro em poucos minutos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), os minerais críticos e estratégicos, grupo que inclui o lítio, devem receber US$ 21,3 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, alta de 15,2% frente ao ciclo anterior, volume que reflete o ritmo de expansão do setor. Diante desse cenário, a infraestrutura elétrica passou a ser dimensionada junto com os próprios projetos de crescimento das unidades, não depois deles.
Essa lógica orienta projetos como o do Grupo Setta para a AMG Brasil. Na planta que a mineradora opera em Nazareno (MG), destinada à produção de concentrado de espodumênio para a cadeia do lítio, a expansão elevou a capacidade de 90 mil para 130 mil toneladas anuais por meio de uma nova infraestrutura elétrica integrada à operação em curso.
“Em um local que já produz, a expansão não é uma obra à parte, é uma carga nova dividindo espaço com o que está em funcionamento. O primeiro passo é sempre saber quanto a rede atual ainda suporta antes de desenhar qualquer estrutura nova”, afirma Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta.
O escopo incluiu a instalação e interligação de três eletrocentros de média tensão, o lançamento de mais de 220 quilômetros de cabos de potência, controle e instrumentação, além da interligação de aproximadamente 1.300 instrumentos de campo e 400 motores elétricos. Os trabalhos avançaram em etapas planejadas para ocorrer em paralelo à rotina da unidade, com a base elétrica pronta antes da montagem dos novos equipamentos e testes individuais antes de cada energização.
As rotas de cabeamento e a integração com o sistema de controle existente foram definidas caso a caso, para evitar qualquer interferência durante a intervenção. Ao final, o Grupo Setta entregou a documentação técnica as built, que registra como cada sistema foi instalado e serve de referência para novas ampliações da unidade.
“O ganho de capacidade só compensa se a operação continuar estável durante todo o processo. Por isso, cada decisão de engenharia nesse tipo de obra pesa o retorno da expansão contra o risco de parar uma unidade que já está produzindo”, destaca Dias.
Para o setor, este trabalho reforça uma exigência cada vez mais relevante na contratação de infraestrutura industrial: além da capacidade técnica de execução, fornecedores precisam estar preparados para atuar com o mínimo de impacto sobre a operação e a continuidade do processo produtivo - uma necessidade que tende a ganhar ainda mais importância à medida que o setor de minerais críticos atrai novos investimentos.
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